UM GESTO DE AMOR PELOS SUBJUGADOS

Um gesto é uma coisa simples. E é imprescindível que Deus se revele nas coisas mais simples da vida.
Muitas vezes acordamos assaltados pelo medo, incertezas e inseguranças. Perguntamo-nos: por que tanta maldade em meio à sociedade? Será que existe uma solução para o problema do infortúnio? Confesso que, quando acordo com o temor do porvir, o que mais penso é em procurar um lugar mais seguro. Mas nem sempre insegurança interior se soluciona com segurança exterior.
Vivemos desesperados por um pouco mais de paz e culpamos o governo e a própria sociedade: que somos eu e você, que estamos a ler isto?
Recuso-me folhear os jornais baratos que se beneficiam da tragédia alheia. Mas como não notar essa realidade massacrante que enche as nossas bancas e livrarias de noticias de morte, assaltos e estupros? Questiono se esses editores e jornalistas empenhados em tal atividade grosseira estão realmente preocupados em trazer algum beneficio à sociedade, que os patrocina com os seus humildes centavos. Pois em suas escassas folhas “ensanguentadas” há até uma extensão destinada aos “maníacos sexuais”.
Nós próprios somos culpados do mal que nos assola, desde manhã ao anoitecer. Mas por que motivo há tantos larápios, assassinos, cobiçosos e maníacos sexuais na sociedade?
Infelizmente, não existem manobras prestidigitadoras que resolvam estes problemas sociais. Mas existe um meio eficaz capaz de amenizar o mal. Contudo, depende da nossa vontade. Pois precisa partir de nosso interior.
Voltando mais acima do texto, lembra-se do que eu disse: é imprescindível que Deus se revele nas coisas mais simples da vida?
Não há nenhuma palavra que possa expressar mais plenamente o ideal de Deus que o amor. A falta de amor é o motriz desses males que nos assolam todos os dias.
A falta de amor é o maior enxerto da solidão. A falta de amor tem nos deixado à mercê de uma sociedade retraída, problemática.
Já imaginou como seria se o mestre do amor viesse pessoalmente em pleno século XXI para cuidar, em pessoa, dos problemas sociais?
Não é difícil concluir que ele amaria primeiramente os larápios, assassinos, cobiçosos e maníacos sexuais. Dando-lhes nova chance, acolhendo-os, não os julgando como escória social, mas dizendo-lhes: meus filhos, eu vos amo!
Não existe melhor solução para o problema da maldade social que o amor pelos oprimidos, assassinos, deturpadores, prostitutas e ladrões.
Lembro-me de uma cena desagradável, do incêndio da mais antiga favela de Manaus, que persiste em ficar em minha memória, no qual tive o desprazer de ver de perto ao passar pela Avenida São Jorge na manhã de terça-feira do dia vinte e sete de novembro de 2012; o alvoroço das famílias que corriam pelas ruas com crianças de colo, móveis, (…) entre a fiação elétrica, calor infernal, fumaça e o companheiro dos subjugados, membro da solidão alheia, o descaso por parte de nossos representantes.
Não deixei de pensar nos culpados, procurar os bodes expiatórios que esperamos estar sempre de prontidão em assumir a culpa dos nossos “pecados”; vociferei: “Esse povo vive em meio às ruínas, entulhados como ratos de esgoto e nossos políticos safados nada fazem pela ignomínia dessa gente? ”.
Certo! Alguém por aí já disse que a desgraça dos que não se interessam por política é serem governados pelos que se interessam. E infelizmente, nós próprios somos culpados dessa desenfreada corrupção e desgraça no cenário político brasileiro.
Às vezes sinto medo de tolerarmos o intolerável, como os ensinos de importantes, porém complicados teóricos da soberania política, e arregaçar as mangas em protestos nada pacíficos contra essa dita ordem desordenada de um país em regresso.
Resta-nos comprimir as lágrimas e pedir que o mestre do amor volte logo, pois aqui embaixo está complicado!
Deus releva-se nas coisas mais simples da vida, inclusive no gesto de amor pelos subjugados.