MEU DIREITO, MINHA RESPONSABILIDADE

(…) final da copa das confederações de 2013; O gramado estava macio para a seleção brasileira que venceu a Espanha, primeira no ranking de seleções da FIFA, por 3 a 0. A equipe treinada por Vicente Del Bosque não perdia há 29 jogos oficiais. Os Brasileiros estavam com os batimentos cardíacos descompassados.
Que momento único em que os brasileiros mostravam o seu relativo patriotismo há tanto tempo empoeirado. Relativo? – Sim; que dependem da relação com outro fator, o fator futebolístico. No Brasil patriotismo tem tudo a ver com futebol.
É salutar fazer da bola um modo de vida. Desde que seja um modo, não o modo.
Enquanto a seleção do Brasil fazia a diferença nos campos, indiferentes, alguns brasileiros manifestavam do lado oposto, a exemplo de dias anteriores por todo o país. Maravilhoso! Não somente o campeão voltou, mas todo o país saiu do encalço do conformismo. Uma vitória dentro e fora dos campos!
Antagônico ao gramado macio para a seleção brasileira naquele começo de inverno, os tecidos decorativos que adornavam Brasília estavam visivelmente sórdidos. Todos sabiam, não era novidade, mas os “patrões” – que somos nós, os que pagamos impostos de primeiro mundo e recebemos serviços de terceiros – resolveram protestar as sujidades.
— O campeão voltou! Que jogo! Que time! É Brasil!
— O Brasil acordou! O gigante acordou! Não é só por 20 centavos!
Queremos nossos direitos. Queremos justiça. Queremos e queremos, (…). É meu, é nosso, é direito!
Sou a favor das manifestações, obviamente contra atos destrutivos, vandalismo e afins.
Acho linda a declaração universal dos direitos humanos. Tem que ser lida por cada cidadão como a mais bela obra de arte literária escrita pelo dedo do próprio Criador. Mas incomodo-me furtivamente quando penso que exigimos tanto nossos direitos a ponto de deixarmos à espreita as nossas responsabilidades.
Culpamos o governo; culpamos a grama alta do vizinho; culpamos o que passar à nossa frente quando injustificavelmente não temos a quem vitimar. Vitimamo-nos por que é mais fácil atribuirmos a culpar a algo ou alguém.
Pleiteamos com afinco nossos direitos; – é direito, é humano! … Mas perdemos o foco de nossas responsabilidades. Consequentemente precisamos de mais culpados. E onde estão os culpados?
Como seria bom se existisse impresso a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DAS RESPONSABILIDADES HUMANAS.
Sobram-nos exigências, mas faltam-nos responsabilidades. Como seria bom se fôssemos patriotas o bastante a ponto de não entregarmos a nossa nação nas mãos de corruptos larápios. Parafraseando o literato Eça de Queiroz: “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”.
Vamos exigir nossos direitos, mas antes, vamos atentar às nossas responsabilidades. Faça bonito na hora do voto, faça um voto de protesto!
(…) meu direito, minha responsabilidade!