A MARCA DA INTOLERÂNCIA

Vai começar o jornal – diz o homem franzino sentado no sofá, como um ilustre inseto que vagueia pela bosta recém-defecada de um felino.
Com o controle de TV na mão, muda freneticamente de canal em busca das melhores notícias sensacionalistas. Mortes, assaltos, estupros, (…) Isso é notícia! Isso é n-o-t-í-c-i-a!
Como sobreviveriam nossos jornais sem o sensacionalismo? Da mesma forma que sobrevive a nossa sociedade com a demandada intolerância. Já não sei ao certo se os excessos de notícias que exploram matérias escandalosas inibem ou acatam ainda mais a violência em nosso país.
Não é difícil nos depararmos com atitudes intolerantes no dia a dia. Basta caminharmos pelo trânsito abarrotado de Manaus, pra ser mais preciso. Ou quem sabe tentar encarar o horário de pico da grande São Paulo. Não demorará a ouvirmos o espetáculo da orquestra de buzinas soando em nossos ouvidos. Um verdadeiro frenesi!
Ou quem sabe você more em um apartamento e em algum momento já saiu no braço com o vizinho que costuma fazer festa até altas horas da madrugada no andar de cima? Lembro-me de um caso de intolerância, que os jornais noticiaram no sudeste brasileiro: – “Vizinho mata casal, a tiros, que fazia barulho no andar de cima do apartamento. O grotesco ainda estava por vir, após matar o casal, o vizinho incomodado tira a própria vida com um tiro na cabeça.”
O mercado da intolerância tem colocado comida na mesa de muitos jornalistas sensacionalistas. Pensam: – Isso é notícia! Isso é vendável! – Então tiram o maior proveito “profissionalmente” sardônico da indiscrição alheia.
Certa vez, dois jovens estudantes estavam caminhando, conversando, fluindo em risos, enquanto um sujeito que vinha em direção contrária pensa que os dois colegiais riam dele. O indivíduo saca uma arma e tira a vida dos dois, expressando, tacitamente, a marca da intolerância.
Nós, nosso eu intolerante, temos nos prendido à ilusão de que todos precisam ser de acordo com os nossos padrões, formas, crenças, modos. Agimos, inconsequentemente, como se fôssemos superiores, com posturas defensivas, morais, demasiadas críticas, (…) O resultado de tudo isso? – Ajudamos a colocar comida na mesa dos jornalistas sensacionalistas. Não pense que sou antidemocrático e estou criticando o trabalho jornalístico. Pelo contrário, quão importante é para a nossa sociedade o trabalho periodista. Todavia, me refiro ao sensacionalismo que explora o lado deplorável da raça humana. O trágico pelo trágico; o caos pelo caos; o intolerante pelo intolerante.
Meus caros formadores de opinião, que tal expormos em nossas telas algo mais compassivo, terno e expressivamente culto? À vista disso, se a vida imita a arte, a delicadeza da arte sempre estará predisposta a moldar a rudeza da vida!

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