Inclusão como meio de formação social

No dia 14 de abril é comemorado o Dia Nacional de Luta pela Educação Inclusiva. No intuito de demonstrar esta relevância, produzi esta análise reflexiva focada na inclusão como meio de formação, associando princípios e valores progressivos; proporcionando, de forma crítica-participativa, uma imagem ponderada da importância de fincarmos meios que elevem a dignidade socioeducativa.

Como sabemos, a educação é direito de todos (Lei nº 9394/96). Neste script viso remontar tal valor, garantindo um melhor entendimento de valores inclusivos. A escola é o principal ambiente, depois de nossas casas, onde criamos um vínculo afetivo. É onde transcorremos grande parte de nossa formação cidadã. A escola é fundamental e favorável para podermos enfrentar a sociedade. Todavia, alguns problemas têm vindo à tona e precisam ser analisados cautelosamente.

É evidente que a educação é primordial para a desenvoltura e a dignidade humana. É o principal meio de formação da cidadania. A educação é de e pra todos nós!

A inclusão é um dos grandes desafios da educação no Brasil. E desafio é uma palavra que abrange muitas coisas, como: superação, conquistas, afrontas, duelos ou combates. No contexto educacional, podemos dizer que a inclusão social nas escolas é um grande desafio; desafio que precisa ser encarado pelos educadores em seus mais variados seguimentos. Um desafio que, se realmente enfrentado, conquistará a melhoria educacional e combaterá a exclusão de nossos alunos com necessidades especiais, como deficiências auditivas, visuais, físicas, et cetera.

A inclusão é o grito dos socialmente excluídos; é a luta do indivíduo com deficiência a favor de seus direitos. Contextualizando, a inclusão veio como meio de instaurar uma melhor qualidade de vida aos cidadãos sem deficiência (com propósito de inibir práticas segregacionistas e ideias preconcebidas), e principalmente aos com deficiência. Partindo deste princípio, vemos o como é importante o trabalho de inclusão dos menos favorecidos. Porém, tratando-se especificamente da inclusão social nas escolas, aponto a problemática no contexto educacional quanto ao sistema inclusão/exclusão nas escolas, objetivando a reflexão no intuito de alertar a melhor atenção social na construção de uma sociedade justa que viabilize, com apoio das políticas públicas, ambientes favoráveis à inclusão dos alunos com deficiências e garantam os direitos de cidadania e educação.

As escolas, de um modo geral, têm recebido alunos com necessidades especiais. Porém, será que as mesmas estão preparadas para tal benemerência? São problemas que precisam ser discutidos!

Será que os professores, ou os funcionários em geral das instituições de ensino estão preparados para receber os alunos portadores de necessidades especiais? E os alunos com tais necessidades, quando inseridos no contexto educacional das instituições de ensino, sentem-se acolhidos e à vontade?

A inclusão social nas escolas é um grito da necessidade de aprimoramentos e investimentos específicos por parte do Governo Federal e da sociedade. Cerca de 10% da população no Brasil apresenta algum tipo de deficiência. Diante desse quadro, vemos o como são importantes políticas de incentivo e o apoio das massas sociais.

A inclusão tem encontrado fortes resistências por parte da enraizada segregação nas escolas. É um desafio para a educação, pois é difícil desmitificarmos nossos hábitos costumeiros, da homogeneidade e embarcarmos no diversificado método inclusivo. A aceitação, a compreensão, a complacência e a educação juntas, são pressupostos essenciais de inclusão social.

Queremos que a inclusão social nas escolas seja uma realidade pautada. Contudo, qual a nossa contribuição cidadã para que alcancemos tal resultado? Esta questão está sendo abordada com o intuito de refletirmos nossas falhas, proezas e deveres cumpridos e não cumpridos, de forma a solidificar a inclusão social nas escolas.

A educação social nas escolas do Brasil tem tido, gradativamente, processos favoráveis à cultura de adaptação, que aponta para a integração como meio de solucionar a problemática da inclusão de nossos alunos com necessidades especiais.

Podemos notar que o ensino do sistema educacional vigente tem-se mostrado insuficiente, onde o sistema é adaptado para a preparação de seus alunos para o mercado de trabalho deixando-lhes vulneráveis à ideologia pensante. Um sistema que leva à competência predatória!

Paradoxalmente, diante desse contexto que aponta as diferenciações entre sistemas adaptativos e inclusivos, de que forma a inclusão poderá tornar-se viável?

A escola não pode limitar-se a ser somente uma instituição de transmissão de conhecimentos. Ela precisa atender aos direitos básicos que permeiam a existência humana. Diante disso, a inclusão à educação, como fator determinante para a viabilização de alunos com deficiência, irá tornar-se exequível a partir do momento em que os demais permanecerem inseridos na ampla realidade social com dignidade.

Infelizmente, ainda há uma problemática, quando se trata da questão inclusiva: grande parte de nossas escolas ainda estão distantes do paradigma da inclusão. As poucas escolas especiais, que desenvolvem uma parcialidade inclusiva, acabam por formular mais a exclusão e a consolidar a segregação dos alunos portadores de deficiências.

Qual a probabilidade de um aluno portador de alguma deficiência adaptar-se ao sistema de ensino atual? É um jogo de responsabilidades em que as políticas públicas não fornecem formas mais eficientes e favoráveis aos “excluídos”. Com isso o quem perde é o aluno portador de deficiência e a própria sociedade que tem deixado de exercer sua cidadania e formar cidadãos por direito e dever.

Ao que se pode perceber, os programas desenvolvidos pelo estado demonstram querer que o aluno portador de deficiência se adapte à sociedade e não, propriamente dito, a sociedade se adapte ao aluno excluído do contexto social.

O termo integrar mitifica a independência do indivíduo, como forma de ajuste social. Um esforço por parte do cidadão, da pessoa humana, para a adaptação em determinada circunstância. Uma conquista do próprio indivíduo sem apoio da sociedade. Diferentemente, a palavra Inclusão demonstra a responsabilidade social, o envolvimento de um todo em favor de uma causa. É a própria sociedade que se adapta, ou se prepara para acolher um indivíduo, portanto, inclusão, com uma relevância mais suprema, é a mobilização social em prol de uma causa nobre.

Essa distinção entre Inclusão versus integração nos permite questionar a inconsistência dos métodos inclusivos nas escolas. As escolas precisam ser moldadas, isso é fato. Um compromisso que deve ser encarado em prol da “educação para todos”. Todavia, com que cautela as escolas precisam ser moldadas?

Existem muitos pontos fundamentais que garantem uma boa qualidade na educação e prioriza como princípio ético-educacional a inclusão social. Princípios voltados para o aprendizado que possibilitam condições favoráveis de acordo com a personalidade.

É importante salientar que a valorização do professor é de fundamental importância. Pois é através do mesmo que os alunos “em exclusão”, mediante um preparo para determinada tarefa, alçarão o desenvolvimento humano.

As alternativas educacionais já existentes em algumas escolas brasileiras têm proporcionado a universalidade, que é de fundamental importância para o desenvolvimento humano e tem o poder de gerir a inclusão social nas escolas.

As escolas precisam ser inclusivas, precisam atentar e garantir formas de atender as necessidades educacionais como um todo. A inclusão é método necessário para que todos possam sentir-se bem, seguros e parte fundamental do corpo social.

Muitos alunos têm suas dificuldades de aprendizagem e se os mesmos não sentirem-se incluídos no contexto educacional, provavelmente se autodiscriminarão e desistirão de suas trajetórias educacionais. Isso não se limita aos portadores de deficiência, mas a todos os que estão inseridos neste contexto, aos cidadãos de um modo geral.

Enfim, do que realmente precisamos para solucionar tais problemas que envolvam a inclusão social nas escolas?

Creio que necessitamos de um ensino regular que tenha como foco o envolvimento do aluno contemplando-o com significados mais humanos.

Publicado originalmente no livro:
A Expressão do Completo: antologia pessoal
Autor: Jackson da Mata
Editora: Porto de Lenha
ISBN: 978-85-69564-00-3

Livro disponível em: www.portodelenha.com