A HORTÊNSIA DE MEU JARDIM

Estava eu, numa manhã fria e confusa, com um desejo utópico de cortar os céus avistando a grandeza dos mares.
Triste homem que somos ao pensar que tudo é como desejamos!
Às vezes, a busca por sentido faz-nos perder o tato do verdadeiro espírito.
Onde está, ó amor, esse apregoar que tanto clamam e declamam?
O amor estava lá. Era a serra, mais perto da terra, do céu, … E o mar?
O mar? O mar era o próprio desejo de mergulhar fora do desfalque da dor.

Onde estava a asserção que andava tão distante das expectativas de valor?
Nas montanhas da serra gaúcha, havia uma certeza. A afirmação mais que assertiva de poder mergulhar no mais belo dos mares sem afogar-me.

Teus olhos serenos agasalhavam os meus pensamentos nas noites frias.
A noite vai, nebulosa e gélida, sendo trocada pelo canto dos pássaros vindos dos jambeiros floridos de meu quintal.
Como eu poderia esquecer o seu sorriso fugidio de nossa primeira imagem emoldurada, hoje, apenas em minha memória.
Imagem deletada pela incerteza de que eu seria valorizado pelo que sou. Ou, talvez, o medo do amor.

Estou farto da escrivania! Sei que posso escrever na estrada; contemplar, na sinuosidade da vida, o carinho esboçado pelo teu sorriso.

Vou embora pra Gramado, vou levar as sementes de meu jambeiro pra misturar com os teus jardins floridos.
Vou embora pra Gramado, onde tem a neblina entre os jardins perfumados de teu quintal.

Teus olhos verdes são como a beleza nua da floresta; minha terra, meu canto e tua essência.
Jambeiro e jardim, jardim com ipês. E as hortênsias floridas, que cheiram a esperança de um dia cada vez mais corado.
Se for preciso, vou embora pra Gramado.

*Para Maih