A DÍVIDA DO PAI MORTO

O regato percorria pelos rios da Amazônia nas madrugadas; era um trabalho árduo o de Mundico, que junto com o filho Leonor se ocupava do comércio da borracha em sua humilde canoa.

Leonor fazia amizade com os homens do campo, caixeiros, comboieiros, mateiros e os próprios seringueiros que respeitavam cordialmente o Mundico.

Os regatos trabalhavam clandestinamente, geralmente eram perseguidos por aviadores e seringalistas.

Mundico havia perdido a mulher nos rios da Amazônia, com o ataque de um jacaré enquanto percorriam os rios há poucos meses antes do filho completar seus nove anos.

O regato acumulava dívidas no comércio e andava receoso de represálias.

Como filho das matas, conhecia os perigos da região. Os aspectos imensuráveis da fauna e da flora Amazônica já não o espantavam. Seu maior temor era o bicho homem!

Numa noite fria, em meio às águas do rio negro, enquanto transportavam em sua canoa algumas mercadorias para Manaus, ouve-se um estampido seguido do chacoalhar das águas em meio à escuridão da noite. Mundico havia sido alvejado por um aviador que requeria o seu devido pagamento.

Leonor é levado cativo para uma casa aviadora e posteriormente negociado como mercadoria com um seringalista.

Haviam se passado mais de trinta anos, quando conheci Leonor que me relatou sua história. Trabalhou por muitos anos sem salário, desde criança, para que pudesse sanar a dívida do pai morto.

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